“Golpe a população de rua sofre todos os dias”


Um dos espaços da Repúbica Autônoma São Martinho, ocupação do povo de rua no Belém. Foto: AG

Um dos espaços da Repúbica Autônoma São Martinho, ocupação do povo de rua no Belém. Foto: AG

Feminista, preta, gorda, sapatão, periférica e mãe solteira. Fernanda, 28 anos, apresenta-se assim. Ela cursa o segundo ano de Serviço Social na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), e não se sente parte daquele ambiente. É voz dissonante toda vez que propõe recortes de classe, raça e gênero nas discussões em sala de aula. Sem dúvida é uma briga perdida – pelo menos por enquanto – entre a maioria branca e rica que a cerca na academia. Mas ela insiste na proposição dos temas inconvenientes. Fernanda conheceu o Coletivo Autônomo dos Trabalhadores Sociais (Catso) em novembro do ano passado por meio de uma das pessoas do grupo. “Eu fui dormir na ocupação Alcântara. Era verão, mas tava muito frio. Foi o dia mais importante da minha vida, depois do meu parto, porque eu conheci a rua, conheci a galera que ocupava a rua, a galera preta. A rua é majoritariamente preta. São poucos brancos na rua, e mesmo os que são brancos são de uma classe social menos favorecida pelo sistema. Eu fiquei muito tocada.”

Fernanda recebeu o AG para uma entrevista na noite de 19 de maio na República Autônoma São Martinho, espaço ocupado recentemente pelo povo de rua e por membros do Catso diante da iminência de uma reintegração de posse promovida pela prefeitura de São Paulo [saiba mais aqui]. Durante a entrevista de pouco mais de uma hora, Fernanda falou sobre as opressões estruturais que atravessam a população em situação de rua dentro e fora das ocupações – opressões de classe, machismo, racismo, homofobia, transfobia –, e da possibilidade de superação dessas opressões por meio da luta autônoma. Confira a seguir.

 

AG: Como e quando começou a ocupa São Martinho?

Fernanda: A Comunidade do Cimento, na Radial, estava com um pedido de reintegração de posse que ia acontecer no dia 15/5. A gente tinha três alternativas: resistir no dia 15 com luta, tanto que a gente chamou um evento gigantesco pra colar uma galera e ajudar o povo da rua; ocupar outro espaço ou sair – o que era inviável, né? Você vai sair e vai pra onde? A gente decidiu resistir no dia 15, mas também achar outra alternativa. A gente começou a sondar o território procurando um espaço que a gente pudesse ocupar, e aí alguém do coletivo falou do espaço São Martinho, que estava fechado e era um albergue. Algumas pessoas vieram e começaram a trocar ideia com a galera que morava lá fora. A galera falou que estava fechado há um tempo, e que os organizadores do espaço eram da igreja e que todo dia passavam por ali e pediam pra eles pelo amor de deus pra não ocuparem o espaço. E aí a gente pensou: é lá que a gente vai. Quando foi na terça-feira da semana passada (10/5), veio um grupo do Catso e do Cimento e estourou a porta da frente. Foi um dia muito tenso. A gente acabou de estourar o cadeado a GCM (Guarda Civil Metropolitana) chegou, só que todo mundo já estava dentro. Foi vindo GCM, subprefeito, administração do espaço, tivemos que trocar ideia e tal. Foi tranquilo, apesar do medo, porque a polícia é podre e a gente não confia.

 

AG: Esse espaço já tinha convênio com a prefeitura?

Fernanda: Eu acredito que já tinha um convênio com a prefeitura. Funcionava um albergue aqui dentro. Acho que o mesmo trabalho das tendas funcionava aqui dentro, e tá fechado já faz algum tempo. Eles alegaram que iam abrir pro inverno, mas a gente pensa que não, porque o frio já veio e não tinha sido aberto ainda.

 

AG: O que significa ser uma república autônoma?

Fernanda: Eu estive num seminário de negros nesta semana, e tinha uma negra chamada Gilza, ela é autônoma, anarquista, e ela disse uma frase que me marcou muito: “enquanto houver mão do estado não haverá revolução.” Quem é o homem pra dominar outro homem? Quem é você pra decidir sobre a minha vida? No caso da prefeitura, do Estado, da presidenta. Essas pessoas não me conhecem e querem decidir sobre a minha vida, que eu tenho que trabalhar, o que eu posso comer. Ser autônomo é não ser controlado por quem tem mais grana, por um homem branco hétero, é poder ir e vir, circular na cidade sem ter que pagar por isso. A gente sabe que tem várias ocupações aí pelo centro que cobram pras pessoas estarem, e se você não paga você vai pra rua. Aqui não. Esse é um espaço de convivência coletivo. Você pode ficar o tempo que quiser, entrar e sair a hora que quiser. Seu cachorro pode estar aqui. A gente sabe que nos albergues não é assim, você tem que obedecer ordens de uma pessoa que está acima de você numa hierarquia.

 

AG: A assembleia que rolou hoje, por exemplo [assembleia realizada em 19/5, a primeira desde o início da ocupação], é uma atividade mais demorada, que pressupõe desacordos, conflitos e a mediação de desejos opostos. O tempo do capital é outro: rápido, pragmático, e por isso elimina tudo o que puder gerar dissenso, conflito. Como a construção da autonomia e da coletividade passa por ambientes tão adversos?

Fernanda: Nas ocupações são todos diferentes. E que bom. Cada um tem uma personalidade. Um fala mais alto, outro fala mais manso. Outros não falam, outros se sentem silenciados. Hoje mesmo eu reparei que a Natália [que vive na ocupa] ia falar, e um cara ia falar [junto], e ela meio que silenciou por causa do conflito. É muito complicado. Tem que ter muita paciência e escuta. O Catso costuma ouvir primeiro o povo da rua. É a galera da rua que decide e o Catso apoia. O coletivo é um apoio à população de rua.

 

AG: Falando agora sobre o cenário político, sobre as discussões dos rumos da esquerda institucional, do golpe. Como é isso pra vocês na luta autônoma com o povo da rua?

Fernanda: Golpe a população de rua leva todos os dias, quando não tem direito à cidade, quando a presidenta assina a lei antiterrorismo. Se essa galera for pra rua eles vão levar bomba, vão levar tiro de bala de fogo, não de borracha. Eu não invisibilizo nenhuma ocupação, nenhum movimento de esquerda. Mas, pô, pensa que esse golpe que vocês tão falando e tão com medo a população de rua tá levando desde quando nasceu, praticamente. A galera não tem comida, é agredida mesmo em albergue. Tem uma família da [ocupação] Alcântara Machado, mãe, pai e dois filhos, que foi pro albergue e depois voltou pra rua, não tinha condições de ficar lá. A galera não entende que a gente não vai defender a esquerda porque a esquerda não dialoga com a gente, não ajuda a população em situação de rua, e não é por falta de convite não, amiga. A gente tá o tempo todo chamando a galera na página do Catso. Tem vários esquerdas lá que curtem, sabem o que está acontecendo, mas não querem nem saber. O Haddad é de esquerda, o Suplicy é de esquerda, mas não me representam. O Suplicy quando vai falar com a população de rua só fala bosta.

 

AG: E aquele episódio em que o Suplicy foi à ocupação e ofereceu dinheiro do próprio bolso pro povo da rua? O que foi aquilo?

Fernanda: Assistencialismo. Uma porcaria. A gente tentou dialogar com ele várias vezes. Ele veio no Cimento, na Alcântara, e sempre fez diversas promessas. É como todo político, sempre prometendo. A galera já tá de saco cheio. Ninguém quer aqui bolsa aluguel, a galera quer efetivar a questão da moradia. A luta do povo do Cimento, Alcântara e São Martinho é por moradia. Eles nunca conseguiram dar uma proposta efetiva.

 

AG: Vocês têm interlocução com o Movimento Nacional da População de Rua?

Fernanda: O Catso é autônomo. A gente conhece várias pessoas dentro dos movimentos, mas tem movimentos de população de rua que tem movimentos [político partidários] integrados, e é sempre o PT. Mas isso não quer dizer que as portas estão fechadas. Pessoas de outros movimentos que quiserem pernoitar [na ocupação], tomar um banho, comer, as portas estão sempre abertas.

 

AG: Há ocupações de movimentos de moradia que recebem artistas para fazer residências artísticas, debates, eventos culturais. Existe algo nesse sentido em relação às ocupações autônomas do povo da rua?

Fernanda: O povo da rua é tão invisibilizado que as pessoas não procuram. Os artistas não querem estar aqui, não é interessante pra eles. A gente tem uns artistas que colam com a gente, uma galera de punk rock. Tem inclusive uma menina do coletivo, a Verinha, que é cantora, eu sou atriz, e a gente sempre traz grupos de sarau pra cá, bandas de rock, samba, sound system, mas é sempre uma galera que é muito invisibilizada na quebrada, uma galera muito pobre, muito fodida e que vem pra tirar um lazer mesmo, pra somar, pra fazer uma troca com a rua. E na rua tem muito artista, tem cantor, ator, pintor. Mas os artistas de fora, de esquerda, principalmente, não querem somar. Tanto que no dia 11/6 vai ter uma feijoada e eu tô ralando pra chamar uma galera pra fazer um samba aqui. Não encontramos grupos de samba autônomos.

 

AG: A prefeitura, em parceria com empresas privadas, tem mirado os baixos de viadutos como frente de expansão comercial na cidade. Como você enxerga isso?

Fernanda: O Catso acreditava que no começo, quando foram criadas as tendas, a intenção era esconder a população negra, de rua, da elite. Mas com a especulação imobiliária, os ricos compram tudo, inclusive as casas e apartamentos próximos dos viadutos. Então deixou de ser interessante pra prefeitura manter a população em situação de rua embaixo do viaduto. Mas a população começou a se articular com os trabalhadores [sociais], e começou a surgir oficina, roda de conversa, debates sobre autonomia, sobre o não voto. A prefeitura surtou e quis tirar as tendas. Foi quando a população de rua bateu de frente. Vão tirar a gente e colocar onde? Nos albergues, onde as pessoas entram às seis da noite e só saem no dia seguinte? A ideia era deixar a noite de São Paulo mais bonita. Hoje o viaduto virou quilombo, lugar de resistência, de luta, de arte e cultura.

 

AG: O que você acha que a prefeitura planeja para o centro da cidade?

Fernanda: A ideia do prefeito é higienizar o centro, não é interessante população de rua no centro. E por incrível que pareça, vêm várias propostas do tipo “vocês não querem ocupar um terreno em Santana, em Itaquera?”. A galera gosta do centro, as pessoas trabalham aqui. Se a pessoa vai ter que pagar R$ 3,80 pra chegar no trampo dela, você está tirando totalmente o direito dessa pessoa de ir e vir. Então a ideia é tirar a galera negra do centro mesmo, deixar o centro mais burguês, branco, pra que o turista que vem de fora se sinta protegido. A proposta do prefeito é essa: higienizar o centro e esconder essas pessoas em albergues e na periferia. Isso é resquício da escravidão. Depois da falsa abolição os escravos foram expulsos do centro e empurrados para os morros, se escondendo. Essa parte do Brás, da Radial está sendo elitizada. Tão construindo condomínios. A prefeitura está junto com a burguesia porque não tem condição de ter um condomínio de luxo com uma ocupação do lado.

 

AG: Quem são as pessoas em situação de rua que estão nas ocupas autônomas?

Fernanda: A rua é muito diversa, mas a maioria, 99% tão ali por causa do abandono social. Teve algum problema com a família, perdeu o trampo, não tem pra onde ir e vai pra rua. Tem muito migrante nordestino que vem com a família em busca de trabalho e não acha trabalho. Tem muita mulher que o marido abandona ou que apanha do marido e vai pra rua porque a família não acolhe. População LGBT a família não quer, se for pro albergue sofre agressão, estupro, então a pessoa vai pra rua. O egresso prisional: ficou dois, três anos preso, quer recomeçar e vai recomeçar onde? Vai procurar emprego onde? A família já abandonou, já não acredita mais na pessoa. Então vai pra rua. Essa pessoa é um ser humano, quer trampar, e o Estado nega a oportunidade. As ocupações autônomas acolhem essas pessoas, é bem heterogêneo. A galera que tá na rua é a cara do Brasil, e não a galera que tá na Câmara, não a presidenta Dilma, não o prefeito Haddad ou o pilantra do Geraldo Alckmin. Aqui é o quilombo, aqui é Palmares, Dandara, aqui representa várias pessoas que morreram lutando. Foi construindo em conjunto que a galera descobriu que é forte.

 

AG: Vocês, do coletivo, já comentaram algumas vezes que o Catso vem sendo perseguido pela prefeitura e pela GCM. Como se dá isso?

Fernanda: O próprio Zé Américo [José Américo (PT), secretário municipal de Relações Governamentais] deslegitimou as ocupações autônomas, dizendo que a gente não é organizado porque não tem um partido político. Eles mandam GCM nas ocupações o tempo todo. A polícia militar ronda as ocupações o tempo todo enquadrando as pessoas por nada, levando as pessoas presas por nada. Fazem a ligação do movimento autônomo com terrorismo. A população de rua, quando tem ato pela merenda, vai pra rua. Quando tem ato pela passagem, vai pra rua. É passe livre pra todo mundo. O prefeito sabe que a gente tem noção de que o que o estado faz é errado, então mandam perseguir mandando GCM, rapa. Eles conhecem quem é do Catso, têm os nossos nomes. Eu costumo pensar que a gente corre perigo. Eles estão na nossa cola porque somos autônomos. E a gente sabe que em outras ocupações que têm ligação com o PT não tem essa pressão da GCM.

 

AG: Nessa nossa conversa você comentou que se sente privilegiada por ter trabalho e casa. Como é ter esses privilégios e trabalhar com a população em situação de rua? Como é o descompasso dessa relação entre privilegiados e não privilegiados?

Fernanda: Como mulher negra e periférica, que mora na favela, eu não reconhecia [esses privilégios]. Pra mim eu tava fodida e mal paga. Depois que eu comecei a vir pra ocupação falei “mano, eu sou uma mulher negra, lésbica, rodeada de privilégios”. Eu tenho um trampo e isso me garante o pagamento do meu aluguel. O que a população [de rua] não tem, porque eles não têm endereço fixo. Ter um endereço fixo, ainda que seja de um barraco de madeira na Cidade Tiradentes, é um privilégio. E aí vai subindo: ter uma casa de alvenaria é um privilégio, ser homem é um privilégio, ser homem branco hétero é outro privilégio. E eu comecei a entrar em conflito comigo mesma. Eu pensei “caralho, eu luto contra o racismo, contra a LGBTfobia, e eu nunca pensei na população de rua”. Depois que comecei a colar aqui eu entrei em crise com o mundo, rompi vários laços, deixei de fazer várias coisas. Reconhecer seus privilégios e que você também é opressora é muito difícil. Quantas vezes eu vi morador em situação de rua e atravessei a rua, mesmo eu sendo pobre e preta. Quantas vezes eu fiz isso. Foi difícil reconhecer que fui opressora fazendo isso. Hoje eu vivo muito melhor estando com a rua.

 

AG: Como vocês lidam com o machismo dentro da ocupa?

Fernanda: A questão do machismo aqui dentro é que a rua é majoritariamente masculina, hétero e bem conservadora. Então é muito difícil desconstruir isso neles. E diferente do que é na academia e em outros espaços, nós, enquanto mulheres do Catso, não vamos chegar com os dois pés no peito dos caras. Os caras estão em situação de vulnerabilidade muito alta, estão em situação de rua e não tiveram oportunidade pra desconstruir o machismo, o racismo, a homofobia e a transfobia. Então tem que ser devagar, através de formações, de rodas de conversa, desconstruindo junto com eles. Aqui no São Martinho não teve ainda [roda de conversa], porque a gente está há pouco mais de uma semana só, mas a gente já está preparando. Mas lá na Alcântara Machado sempre tem roda de conversa, cine debate, vêm outros coletivos. No mês passado teve um evento da Caminhada de Lésbicas e Bissexuais de São Paulo, foi muito importante. Foi uma roda de conversa só com as mulheres lésbicas e bissexuais negras, incorporando as mulheres negras e brancas que são da ocupação, mesmo não sendo lésbicas ou bissexuais, pra uma troca de ideias sobre o que é a solidão da mulher negra, o sofrimento, por que você está na rua e tal. Mas é muito difícil, a rua é muito conservadora. Você acabou de ouvir lá [na assembleia] o cara falando que o serviço de limpeza é da mulher. E não é assim, né? Mas eles escutam, ao contrário dos burgueses da universidade, que acham que a gente tá fazendo drama, eles escutam e trocam se você vier falar, trocar ideia. Tem reprodução machista e racista? Tem. Mas é tudo na troca. Lógico que tem momentos que você tem que falar mais firme. Enquanto coletivo e mulher, eu tenho toda a paciência do mundo pra desconstruir um homem que mora na rua, o que eu já não tenho na academia, por exemplo.

 

AG: Por quê?

Fernanda: Porque [na academia] eles têm o privilégio de ter livros, televisão, de participar de roda de conversa, de ter professor de humanas pra falar pra eles o que é o machismo, o racismo. Eles têm casa, comida, eles podem ir e vir. Eles têm tudo, a rua não tem nada. No meu facebook eu tô o tempo todo pedindo doação pra ocupação, convidando essa galera rica pra construir oficina, pra visitar o espaço, pra conhecer a realidade do povo. Eles não querem ouvir. Eu inclusive digo “economiza na maconha, economiza na cerveja”. Essa galera nunca tem dinheiro, é impressionante. Tem dinheiro pra colocar gasolina no carro, pra comprar pão de queijo na faculdade, mas não tem dinheiro pra comprar um pacote de arroz ou de fralda [pra ocupação]. Então eu não tenho paciência com a classe dominante. Eles têm tudo o que precisam pra desconstruir [machismo, racismo, homofobia], mas não desconstrói porque não quer.

 

AG: E a questão do racismo, como é na ocupação?

Fernanda: Tem uma galera nas ocupações que não se entende como negro, que tudo que ele tá vivendo é por causa da cor, da classe social. A galera que tá na vida lá fora acha que tá nela porque pecou, porque respondeu pra mãe na infância, porque deus quis, porque foi uma praga de deus. Sempre se culpando. Pra galera de rua não foi passado o que é política. Eles não entendem que o fato de estarem aqui hoje é porque tem uma elite branca ali em cima que está fazendo com que isso aconteça. Aos poucos a gente do Catso vem tentando falar do que é autonomia, do que é viver no coletivo.

 

AG: Você gostaria de acrescentar algo que eu talvez não tenha perguntado?

Fernanda: Queria pedir pra população em geral olhar mais pra galera da rua. Estar nesse espaço pra trocar ideia com a galera faz muita diferença. Todo dia é uma construção nova. Lá na Alcântara uma senhora me falou que tava na luta por moradia não só pra ela, mas pra todos, que se tiver só pra ela ela não quer. Então focar nessa importância da luta coletiva, e pensar que a autonomia funciona. É pouco, mas todo mundo come, todo mundo toma banho, todo mundo conversa, sorri, assiste televisão. E pensar a autonomia pra todo mundo. Eu não quero uma mulher ou um homem rico e branco decidindo o que eu tenho que fazer.

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