Ficção ou realidade? Quatro filmes que discutem processos de gentrificação


Cena de um dos dias de gravação de "Pessoa-coisa, cidade-torre". Foto: Reprodução/Facebook

Cena de um dos dias de gravação de “Pessoa-coisa, cidade-torre”. Foto: Peu Robles

Em um esforço de estimular o debate sobre a produção da cidade e compartilhar trabalhos [não só acadêmicos] que discutem o tema da gentrificação, o AG indica a seguir quatro filmes. Todos eles, por meio de distintas linguagens, falam sobre a expulsão de populações de menor renda de áreas que passam, passaram ou estão em vias de passar por valorização imobiliária estimulada por projetos privados, públicos e público-privados.

Pessoa-coisa, cidade-torre

Lançado no final de abril, o documentário de pouco mais de 20 minutos faz uma discussão original sobre o processo de coisificação e mercantilização da vida na cidade neoliberal a partir do trabalho precário de milhares de mulheres e homens que, todos os dias, são transformados em placas para vender imóveis às classes mais abastadas. Realizado por Paula Sacchetta, Peu Robles e Pedrão Nogueira, o “Pessoa-coisa, cidade-torre” foi viabilizado por 171pessoas por meio de financiamento coletivo. Leia texto sobre o projeto aqui. Assista ao filme abaixo.

Pessoa Coisa Cidade Torre from João e Maria.doc on Vimeo.

Gatunos S.A.

“Expulsando o passado, concretando o futuro” é o lema da incorporadora e construtora fictícia [ou nem tanto] do coletivo Mapa Xilográfico. O documentário-ficção “Gatunos S.A.”, realizado pelo coletivo, apresenta o modus-operandi da incorporadora no seu trabalho de expulsar famílias sem-teto e de baixa renda de terrenos onde pretende erguer seus empreendimentos de luxo – alguns deles com o aval e facilitação do poder público. O filme tem pouco mais de 28 minutos.

Ficção Imobiliária

Um documentário feito a partir de dezenas de referências de filmes de ficção. Este é o “Ficção Imobiliária”, do coletivo Left Hand Rotation. Trata-se de um trabalho minucioso de curadoria de filmes de diversas épocas que, em sua totalidade ou em partes, falam de distintos processos de gentrificação. O filme tem 21 minutos, e já conta com outras duas sequências que podem ser assistidas aqui. O volume I da trilogia, que postamos abaixo, tem legendas em português.

Ficçao Imobiliaria from Museo de los Desplazados on Vimeo.

A grande feira

“A grande feira” é uma ficção longa-metragem (1:34) de 1961 dirigida por Roberto Pires. O filme traz como pano de fundo a pressão vivida por feirantes, prostitutas e pessoas de baixa renda que sobrevivem do comércio na feira de Água de Meninos, em Salvador (BA), e que veem seu ganha pão ameaçado pelo interesse de grandes empresários e do poder público em “modernizar” a região. A Feira de Água de Meninos, que realmente existiu [existe], formou-se durante os anos 1940 e foi um importante centro de abastecimento da capital baiana entre 1950 e 1960. Em 1964, um grande incêndio a destruiu, e os feirantes foram transferidos para outro local, onde foi criada a atual Feira de São Joaquim, maior feira livre de Salvador, no bairro do Comércio.


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