Pra que parques? São Paulo à beira do colapso


Parque dos Búfalos. Foto: Reprodução/Facebook Parque dos Búfalos Jardim Apurá

Parque dos Búfalos. Foto: Reprodução/Facebook Parque dos Búfalos Jardim Apurá

Por Augusto Aneas*

O PL 272/2015, a nova Lei de Uso e Ocupação do Solo, será votado amanhã, 25/2, na Câmara dos Vereadores, e a cidade de São Paulo se encontra à beira de um colapso hídrico e ambiental que pode ser irreversível.

O processo de urbanização da cidade de São Paulo foi devastador e como herança hoje temos uma cidade sem parques. A disputa da Rede Novos Parques tem como objetivo assegurar as últimas áreas verdes que sobraram no município.

Essas áreas verdes, além de terem um papel fundamental para o equilíbrio hídrico-ambiental de toda a metrópole, também são as últimas áreas passíveis de tornarem-se parques, espaços públicos de encontro e convivência da população.

Já conseguimos assegurar algumas dessas áreas como ZEPAM (Zona Especial de Proteção Ambiental) no novo Plano Diretor da cidade. Mas ainda falta a proteção de muitas áreas. Precisamos da pressão de todos para reverberar essa necessidade e fortalecer a opinião pública, perante a Câmara Municipal de São Paulo e o prefeito Fernando Haddad.

As áreas verdes já grafadas integralmente como ZEPAM são os parques: Augusta, Vila Emma, Morro do Querosene, Guarapiranga, Nascente, Caxingui e Água Podre.

Mas ainda temos áreas essenciais para o equilíbrio ambiental da metrópole de São Paulo e que ainda estão ameaçados de extinção pela nova Lei de Uso e Ocupação do Solo. Essas áreas hoje são conhecidas como parques dos Búfalos, Mooca, Trote, Burle Marx, Peruche, Guilherme Trote, Barra Funda, Brasilândia, entre outros.

Se não protegermos essas áreas hoje, amanhã elas não mais existirão. E as chances de conseguirmos regenerar novos parques na cidade para evitar
o colapso hídrico-ambiental – que já vivemos – são mínimas.

Nos últimos 2 anos nos dedicamos à diálogos constantes com os vereadores e com a Prefeitura de São Paulo e marcamos presença massiva nas audiências do PL 272/2015. Hoje percebemos que a participação popular foi uma mera simulação já que essas áreas continuam ameaçadas de destruição nessa nova Lei de Uso e Ocupação do Solo. Depois de muito debate com o vereador Paulo Frange, relator dessa lei, nossa digna demanda e preocupação com o futuro de São Paulo não foi atendida.

Precisamos de uma emenda no PL 272/2015 que inclua esses parques para preservá-los para o agora e para as futuras gerações. Para a inclusão dessa emenda estamos pressionando os vereadores da Câmara para que apóie a sobrevivência dessa áreas. Em muitas delas, a disputa pela sua sobrevivência já dura décadas e não pode ser simplesmente desprezada.

Parques são prioridade sim!

Não precisamos destruir nossas últimas áreas verdes para dar lugar a novos empreendimentos habitacionais. Segundo estimativa do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), São Paulo hoje tem uma demanda habitacional de 200 mil famílias sendo que possui 400 mil imóveis vazios e ociosos.

O que precisamos é enfrentar de forma estrutural a demanda habitacional através da pressão contra a especulação imobiliária da cidade. Especulação essa que destrói tanto o direito de acesso à moradia quanto o direito ao meio ambiente equilibrado.
Por isso, exigimos: ZEPAM JÁ! Para todas as áreas verdes ameaçadas de São Paulo.

Para evitar que as áreas verdes da cidade sejam destruídas pela nova Lei de Zoneamento, aproveite estas últimas horas antes da votação para pressionar os vereadores. É simples e rápido. Veja aqui.
* Augusto Aneas, 33 é arquiteto e urbanista formado pela FAU-USP. Ativista do Rede Novos Parques, Organismo Parque Augusta e Hub Livre


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *